Dra. Ana Carla Souza Theodoro | CRM 94.816 | RQE 102.179 Conteúdo educativo e de divulgação científica — Resolução CFM nº 2.336/2023

“Labirintite” é, sem dúvida, um dos termos mais usados — e mais mal compreendidos — quando o assunto é tontura. No consultório, é muito comum receber pacientes que já foram diagnosticados com “labirintite crônica” há anos, sem que uma investigação adequada tenha sido realizada. A verdade é que labirintite verdadeira é uma condição grave e relativamente rara — e a maioria das pessoas que usam esse termo na vida cotidiana está, na verdade, descrevendo outros quadros com apresentações e tratamentos bem distintos.

O que é realmente a “labirintite”?

Em sentido estrito, labirintite é uma inflamação do labirinto — a estrutura do ouvido interno responsável pelo equilíbrio e pela audição. Quando ocorre de forma verdadeira, é uma condição aguda, frequentemente causada por infecções virais ou, mais raramente, bacterianas. Ela provoca vertigem intensa, náuseas, vômitos e, na maioria dos casos, alteração auditiva — porque o labirinto abriga tanto o órgão do equilíbrio quanto a cóclea (responsável pela audição).

Dado importante Estimativas indicam que menos de 1% dos casos de tontura e vertigem são, de fato, causados por labirintite verdadeira. O termo se popularizou tanto que passou a ser usado de forma genérica para qualquer tontura de origem vestibular — o que dificulta o diagnóstico preciso.

Neurite Vestibular: o “primo” da labirintite

A neurite vestibular é, provavelmente, uma das causas mais comuns de vertigem aguda grave em adultos. Diferente da labirintite, ela afeta apenas o nervo vestibular (que transmite informações de equilíbrio do labirinto ao cérebro), sem comprometer a audição. A causa mais aceita é uma infecção viral prévia que inflama o nervo.

O quadro clínico é de vertigem intensa e contínua, com duração de dias a semanas, acompanhada de náusea e vômito, sem perda auditiva. O tratamento inclui medicamentos para controle dos sintomas na fase aguda e, posteriormente, exercícios de reabilitação vestibular para acelerar a compensação central.

Doença de Ménière: a tríade característica

A Doença de Ménière é um distúrbio do ouvido interno causado pelo acúmulo excessivo de endolinfa — um líquido presente no labirinto —, condição chamada de hidropsia endolinfática. Esse aumento de pressão causa episódios recorrentes com uma tríade de sintomas muito característica:

A causa da doença de Ménière ainda não é completamente compreendida — fatores genéticos, autoimunes, circulatórios e alimentares parecem contribuir para o seu desenvolvimento.

Como diferenciar as condições na prática?

A tabela abaixo resume as principais diferenças clínicas entre as três condições:

CaracterísticaVPPBNeurite VestibularDoença de Ménière
Duração da vertigemSegundosDias (contínua)20 min a horas
Desencadeada por posiçãoSimNãoNão
Perda auditivaNãoNãoSim (flutuante)
ZumbidoNãoNãoSim
RecorrênciaSimRaroSim (crises)
Tratamento principalManobra de reposicionamentoReabilitação vestibularDieta + medicamentos

Como é investigada a tontura crônica?

A investigação de tontura crônica ou recorrente requer uma avaliação estruturada pelo otorrinolaringologista, que inclui:

Anamnese detalhada

Características das crises, duração, fatores desencadeantes, presença de zumbido, perda auditiva, sintomas neurológicos, medicamentos em uso e histórico familiar.

Exames audiológicos

Avaliação vestibular

Exames complementares

Tratamento da Doença de Ménière

O tratamento da doença de Ménière é individualizado e pode incluir:

Medidas não farmacológicas

Tratamento farmacológico

Procedimentos minimamente invasivos

Reabilitação Vestibular: o pilar do tratamento

Independentemente da causa da tontura crônica, a reabilitação vestibular desempenha papel central na recuperação. Trata-se de um conjunto de exercícios terapêuticos que estimulam o sistema nervoso central a se adaptar às informações vestibulares alteradas — reduzindo tontura, desequilíbrio e o risco de quedas, especialmente em idosos.

Uma palavra sobre segurança e quedas

Importante: risco de quedas Tontura crônica e vertigem recorrente aumentam significativamente o risco de quedas, especialmente em pessoas com mais de 60 anos. Quedas podem resultar em fraturas graves, hospitalização e perda de autonomia. Não normalize episódios frequentes de tontura — uma avaliação especializada pode mudar significativamente a trajetória do problema.

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Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Para avaliação, diagnóstico e tratamento individualizado, consulte um médico otorrinolaringologista. Agende sua consulta com a Dra. Ana Carla Souza Theodoro | CRM 94.816 | RQE 102.179

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